O Bibliotecário Desgrenhado
domingo, 27 de agosto de 2017
quarta-feira, 1 de março de 2017
terça-feira, 21 de fevereiro de 2017
O cinema na escola
Não é fácil trabalhar um filme em sala de aula. Desde logo, por uma questão de tempo e de recursos disponíveis. A circunstância de, geralmente, não haver mais que um computador e um projetor limita as opções...
Depois, nunca é demais salientar que a inclusão destes materiais na planificação deve ter uma intencionalidade pedagógica clara. No caso da disciplina de Português é muito fácil encontrar pontes entre a literatura e o cinema, levando os jovens a reconhecer e a amplificar o conhecimento dos conteúdos programáticos, bem como a alargarem e aprofundarem a sua cultura geral e o conhecimento do mundo (domínio que os testes internacionais e a análise dos exames nacionais revelam como deficitário).
Para a preparação destas aulas, para além do livro O vídeo como dispositivo pedagógico e possibilidades de utilização didática em ambientes de aprendizagem flexível (Moreira e Nejmeddine, 2015), também pode ser interessante ler estas orientações: Tools and techniques for using spark in the classroom In https://a.s.kqed.net/pdf/arts/programs/spark/video.pdf .
Exemplo:
Exemplo:
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
A Guerra - arte e pedagogia
Carlos de Oliveira
CRISTAL EM SÓRIA
Sumário
Nas colinas de António Machado
Descrição da guerra em Guernica
Rio, despedida
[...]
[Descrição da guerra em Guernica - Excerto]
X
O incêndio desce;
do canto superior direito;
sobre os sótãos,
os degraus das escadas
a oscilar;
hélices, vibrações, percutem os alicerces;
e o fogo, veloz agora, fende-os, desmorona
toda a arquitectura;
as paredes áridas desabam
mas o seu desenho
sobrevive no ar; sustém-no
a terceira mulher; a última; com os braços
erguidos; com o suor da estrela
tatuada na testa.
Carlos de Oliveira (1998). Trabalho Poético. Lisboa: Livraria Sá da Costa.
CRISTAL EM SÓRIA
Sumário
Nas colinas de António Machado
Descrição da guerra em Guernica
Rio, despedida
[...]
[Descrição da guerra em Guernica - Excerto]
X
O incêndio desce;
do canto superior direito;
sobre os sótãos,
os degraus das escadas
a oscilar;
hélices, vibrações, percutem os alicerces;
e o fogo, veloz agora, fende-os, desmorona
toda a arquitectura;
as paredes áridas desabam
mas o seu desenho
sobrevive no ar; sustém-no
a terceira mulher; a última; com os braços
erguidos; com o suor da estrela
tatuada na testa.
Carlos de Oliveira (1998). Trabalho Poético. Lisboa: Livraria Sá da Costa.
Fernando Pessoa
O MENINO DA SUA MÃE
O MENINO DA SUA MÃE
No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas traspassado
— Duas, de lado a lado —,
Jaz morto, e arrefece.
Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.
Tão jovem! que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino da sua mãe».
Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lha a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.
De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... Deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.
Lá longe, em casa, há a prece:
«Que volte cedo, e bem!»
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto, e apodrece,
O menino da sua mãe.
s. d.
Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995).
- 217.
- 217.
1ª publ. in Contemporânea , 3ª série, nº 1. Lisboa: 1926.
Fernando Pessoa
TOMÁMOS A VILA DEPOIS DUM INTENSO BOMBARDEAMENTO
TOMÁMOS A VILA DEPOIS DUM INTENSO BOMBARDEAMENTO
A criança loura
Jaz no meio da rua,
Tem as tripas de fora
E por uma corda sua
Um comboio que ignora.
A cara está um feixe
De sangue e de nada.
Luz um pequeno peixe
— Dos que bóiam nas banheiras —
À beira da estrada.
Cai sobre a estrada o escuro.
Longe, ainda uma luz doura
A criação do futuro...
E o da criança loura?
s. d.
Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995).
- 247
- 247
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
Gamificação...
No que respeita aos jogos digitais, gostaria de salientar o conceito de "gamificação". Para Kapp (2012), referido por Mattar (2015: 210), gamificação corresponde a "uma aplicação cuidadosa e ponderada do pensamento dos games para resolver problemas e incentivar a aprendizagem utilizando todos os elementos dos games que sejam apropriados" (p. 210). Mais à frente, Mattar apresenta como características fundamentais destes jogos a interação e a interatividade, a personalização, a imersão e a motivação, relevando a progressividade dos níveis de dificuldade e os elementos lúdicos, as estratégias de conflito, competição e cooperação, a plasticidade das regras e do tempo, bem como a incorporação dos erros como mecanismos de motivação.
Ora, todas estas características, se aplicadas ao processo de ensino e aprendizagem, servem a pedagogia construtivista e conetivista sobre as quais refletimos já em anteriores fóruns, pelo que o primeiro constrangimento ao uso destas ferramentas na escola é de índole pedagógica, isto é, de modelo pedagógico usado pelo professor ou pela instituição. O segundo, e não menor, é o da escassa oferta de jogos para as diferentes áreas disciplinares, designadamente para as humanidades e para Português. Sem o diálogo profícuo entre programadores, cientistas e professores e a consequente produção e distribuição (com técnicas de marketing) destes materiais pedagógicos, dificilmente os jogos chegarão à maior parte das salas de aula, creio.
Os jogos digitais e a educação, no blogue da RBE
http://blogue.rbe.mec.pt/gamificacao-o-que-e-e-como-pode-1989172
segunda-feira, 9 de janeiro de 2017
Biblioteca escolar - centro de recursos
A sociedade atual, dita sociedade do conhecimento ou
sociedade digital, assiste ao aparecimento de novos paradigmas de ensino
baseados nos recursos. Neste contexto, as bibliotecas escolares já não são, ou estão
em vias de deixar de ser espaços físico onde se guardam livros, muito
hierarquizados, para se tornarem centros de recursos físicos, tecnológicos,
digitais e humanos, onde os alunos podem aceder a múltiplas fontes de
informação e aprendem a ser leitores ativos, isto é, com capacidade para
localizarem a informação relevante para resolverem os seus problemas, para a
tratarem e a transformarem em conhecimento, adquirindo, assim, não apenas
conhecimentos curriculares como também competências para a vida.
As ferramentas da Web 2.0 assumem, neste contexto, uma
enorme relevância. Estas não só facilitam o acesso, como promovem a partilha e
as competências de produção e contribuem para o desenvolvimento de um leitor
ativo e para a instituição de uma biblioteca ativa e interativa: “as
bibliotecas ativas, que utilizam as tecnologias para oferecer serviços como,
por exemplo, o catálogo online; […] as bibliotecas interativas, como
meio para interagir com o utilizador, aproveitando assim as potencialidades da web
social.” (Merlo Veja referido por Santos, Monteiro e Carqueja: 2012, p. 65).
Podemos, pois, afirmar que o trabalho da biblioteca e o seu contributo para a
promoção da aprendizagem beneficia muito de uma abordagem blend (blended learning),
em que professores e alunos interagem presencialmente e online, em rede, de modo dinâmico, flexível e integrador das
diferenças individuais dos atores educativos, tendo sempre em mente a aprendizagem.
Neste sentido, podemos falar da necessidade de se
reconfigurarem os ecossistemas de aprendizagem, de maneira a que estes respondam eficazmente ao mundo contemporâneo e ao enorme volume de informação disponível; os jovens atuais precisam de desenvolver múltiplas
literacias para que possam selecionar a informação relevante do manancial disponível, em constante mutação e amplificação, e criarem conhecimento. É este o desafio da biblioteca escolar; como afirma Carla Ganito: "...as bibliotecas escolares […]
vivem atualmente no contexto de um novo ecossistema de aprendizagem
caracterizado pelo volume, velocidade e relevância." (2015: 131)
Referências bibliográficas:
GANITO, Carla (2015). Leitura digital: a biblioteca
como pilar de democratização In Os livros e a leitura: desafios da era
digital - Conferência internacional. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
SANTOS, Natividade, MONTEIRO, Angélica, CARQUEJA, Paula,
(2012). A integração da web 2.0 nas bibliotecas escolares In MOREIRA, J.
António, MONTEIR0, Angélica (org). Ensinar e aprender Online com as novas
tecnologias digitais: abordagens teóricas e metodológicas. Porto: Porto
Editora.
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