Mostrar mensagens com a etiqueta TIC e pedagogia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta TIC e pedagogia. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O cinema na escola

Não é fácil trabalhar um filme em sala de aula. Desde logo, por uma questão de tempo e de recursos disponíveis. A circunstância de, geralmente, não haver mais que um computador e um projetor limita as opções...

Depois, nunca é demais salientar que a inclusão destes materiais na planificação deve ter uma intencionalidade pedagógica clara. No caso da disciplina de Português é muito fácil encontrar pontes entre a literatura e o cinema, levando os jovens a reconhecer e a amplificar o conhecimento dos conteúdos programáticos, bem como a alargarem e aprofundarem a sua cultura geral e o conhecimento do mundo (domínio que os testes internacionais e a análise dos exames nacionais revelam como deficitário).

Para a preparação destas aulas, para além do livro O vídeo como dispositivo pedagógico e possibilidades de utilização didática em ambientes de aprendizagem flexível (Moreira e Nejmeddine, 2015), também pode ser interessante ler estas orientações: Tools and techniques for using spark in the classroom In https://a.s.kqed.net/pdf/arts/programs/spark/video.pdf .

Exemplo:




quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

A Guerra - arte e pedagogia



Carlos de Oliveira

CRISTAL EM SÓRIA

Sumário

Nas colinas de António Machado
Descrição da guerra em Guernica
Rio, despedida

[...]

[Descrição da guerra em Guernica - Excerto]

X

O incêndio desce;
do canto superior direito;
sobre os sótãos,
os degraus das escadas
a oscilar;
hélices, vibrações, percutem os alicerces;
e o fogo, veloz agora, fende-os, desmorona
toda a arquitectura;
as paredes áridas desabam
mas o seu desenho
sobrevive no ar; sustém-no
a terceira mulher; a última; com os braços
erguidos; com o suor da estrela
tatuada na testa.

Carlos de Oliveira (1998). Trabalho Poético. Lisboa: Livraria Sá da Costa.


Fernando Pessoa

O MENINO DA SUA MÃE

O MENINO DA SUA MÃE
No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas traspassado
— Duas, de lado a lado —,
Jaz morto, e arrefece.
Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.
Tão jovem! que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino da sua mãe».
Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lha a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.
De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... Deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.
Lá longe, em casa, há a prece:
«Que volte cedo, e bem!»
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto, e apodrece,
O menino da sua mãe.
s. d.
Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995).
- 217.
1ª publ. in Contemporânea , 3ª série, nº 1. Lisboa: 1926.

Fernando Pessoa

TOMÁMOS A VILA DEPOIS DUM INTENSO BOMBARDEAMENTO

TOMÁMOS A VILA DEPOIS DUM INTENSO BOMBARDEAMENTO
A criança loura
Jaz no meio da rua,
Tem as tripas de fora
E por uma corda sua
Um comboio que ignora.
A cara está um feixe
De sangue e de nada.
Luz um pequeno peixe
— Dos que bóiam nas banheiras —
À beira da estrada.
Cai sobre a estrada o escuro.
Longe, ainda uma luz doura
A criação do futuro...
E o da criança loura?
s. d.
Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995).
- 247

(Poemas do Arquivo Pessoa)

sábado, 17 de dezembro de 2016

Mobile learning

Aprendi um conceito novo. Não tinha conhecimento de que a UNESCO já tinha refletido sobre esta modalidade pedagógica e que já tinha emitido orientações para os diferentes países. No sítio desta organização, mobile learning é definido assim: 

Mobile learning involves the use of mobile technology, either alone or in combination with other information and communication technology (ICT), to enable learning anytime and anywhere. Learning can unfold in a variety of ways: people can use mobile devices to access educational resources, connect with others, or create content, both inside and outside classrooms. Mobile learning also encompasses efforts to support broad educational goals such as the effective administration of school systems and improved communication between schools and families.

Mais informações: UNESCO: ICT and Education

Google Images

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Algumas considerações sobre "Blended learning"

Segundo Allen, Seaman e Garrett, citados por Monteiro, Moreira e Lencastre (2015), o blended learning corresponde a um curso “que mistura o online [de 30 a 79%] com o contacto presencial. Uma abordagem substancial do conteúdo é disponibilizado online, tipicamente usa as discussões online e tem sessões presenciais” (p. 24). Este modelo pedagógico caracteriza-se pela flexibilidade, de tempo e espaço, pela inclusividade, pela inovação, pela colaboração e cooperação e pela conetividade, beneficiando das ferramentas da Web 2.0, tais como os sistemas de gestão de aprendizagem (e.g. plataforma de aprendizagem Moodle) e as redes sociais; pelo exposto, facilmente se conclui que pressupõe uma aprendizagem ativa, tal como postulado pelo construtivismo. A esta teoria, juntam-se novas teorias que respondem à sociedade atual – as teorias “sociointeracionistas” e “conetivistas” (idem, p. 33-34).

Ora, a meu ver, nem a teoria construtivista, nem as teorias sociointeracionistas ou conetivistas enformam o modelo pedagógico vigente nas escolas básicas e secundárias portuguesas; nos casos de maior integração das TIC no processo de ensino e aprendizagem atingimos, talvez, o estádio “Web facilitated” (idem, p. 24). Neste contexto, creio que a biblioteca escolar e o professor bibliotecário podem contribuir para a inovação, propondo aos seus colegas atividades assentes no trabalho de projeto, levando os alunos a construírem o seu próprio conhecimento sobre conteúdos relevantes das diferentes disciplinas, naturalmente auxiliados pelas linhas orientadoras do respetivo docente e pelas ferramentas digitais adequadas. A aprendizagem ativa e colaborativa que o trabalho de projeto pressupões só faz sentido numa cultura de escola em que a cooperação e o trabalho colaborativo estejam presentes, o que talvez não ocorra em todo o lado. Necessitamos de uma mudança de mentalidades.

MONTEIRO, A., MOREIRA, LENCASTRE, J.A. (2015). Blended Learning na Sociedade Digital. Santo Tirso: Whitebooks.


Utilização das TIC em paradigmas educacionais emergentes



Atualmente, as escolas portuguesas, na sua maioria, estão apetrechadas com meios informáticos que permitem uma utilização das tecnologias da informação e da comunicação para fins pedagógicos, mas as potencialidades destes recursos estão subaproveitadas, o que indicia que o problema não reside, essencialmente, nos meios, mas sim na pedagogia, tal como concluem Angélica Monteiro, J, António Moreira e José Alberto Lencastre, no livro Blended (E)Learning nas Sociedades digitais, p. 26-27: “Obviamente a tecnologia é importante quando se trata de apoio ao ensino, mas não deve ocupar um lugar principal quando se procuram cenários didáticos apropriados. O foco não deve ser na tecnologia, mas nas teorias de aprendizagem e na pedagogia (Lencastre e Coutinho, 2015, p. 1365). […] Caso contrário, as soluções de aprendizagem só servem para aumentar o catálogo de más experiências relatadas na literatura.”

De facto, adquirida a tecnologia, é necessário os professores saberem usá-la e disponibilizarem-na aos alunos para que estes aprendam de forma flexível, colaborativa e aberta, aproveitando a quantidade de informação disponível online, de forma acessível e desenvolvendo a capacidade de transformarem este manancial de dados em conhecimento, através de uma aprendizagem ativa. Assim, os alunos, ao mesmo tempo que constroem o seu próprio saber, aprendem a usar as TIC, as redes sociais e as várias ofertas da Web 2.0 para fins educativos e abrem caminho à aprendizagem ao longo da vida.

O problema, como se viu, reside na cultura da escola, que ainda não integrou na sua reflexão e nas práticas as vantagens pedagógicas da Web 2.0, e na formação de professores. Esta ideia é reforçada pelo relatório da OCDE Education at a Glance (2015), que refere que os países investiram em TIC, mas que este investimento está subaproveitado porque os professores não os sabem usar eficazmente. Se existe formação contínua de professores há tanto tempo, como se explica esta situação? Talvez os modelos de formação não tenham sido os mais ajustados… J. António Moreira (2016) apresenta o modelo de formação de professores adequado à sociedade digital, que é a sociedade do conhecimento: o TPACK, que integra o conhecimento científico, tecnológico e pedagógico, e que serve a necessidade de uma nova pedagogia para a sociedade atual.


No livro Blended (E)learning na Sociedade Digital, de Monteiro, Moreira e Lencastre (2015) apresentam-se ideias muito interessantes que nos podem ajudar a melhorar a prática docente, nomeadamente o conceito de blended learning e o modelo pedagógico que pressupõe. Fazendo uma autocrítica, creio que o insucesso de várias tentativas de uso das TIC (internet e redes sociais) se deve ao facto de o modelo pedagógico geral, ser ainda o modelo tradicional e, portanto, não integrar de forma significativa os recursos digitais referidos.

Se a cultura das escolas, tarda em mudar, cabe aos responsáveis implementar medidas para que os professores possam corresponder ao que a UNESCO preconiza, pois as experiências individuais pontuais demoram muito tempo a dar fruto:

“as novas tecnologias requerem novos papéis de professores, novas pedagogias e novas abordagens para a formação de professores. A integração bem sucedida das TIC nas salas de aula vai depender da capacidade dos professores para estruturar os ambientes de aprendizagem em formas não tradicionais, fundir a nova tecnologia com a nova pedagogia, para desenvolver salas de aula socialmente ativas, estimulando a interacção cooperativa, a aprendizagem colaborativa e o trabalho de grupo. […] As principais competências do futuro incluem a capacidade de desenvolver formas inovadoras de utilizar a tecnologia para melhorar o ambiente de aprendizagem, e para incentivar a alfabetização tecnológica, aprofundamento e criação do conhecimento.” (relatório da UNESCO 2008 ICT Competency Standards for Teachers, citado por Monteiro et alii: 2012)

Bibliografia citada:

MOREIRA, J. António (2016). Ferramentas Plataformas e Interfaces Online. Vídeo. DEED, UAb.

MONTEIRO, Angélica, MOREIRA, J. António & LENCASTRE, José Alberto (2015) Blended (E)Learning nas Sociedades digitais. Santo Tirso: Whitebooks. p. 26-27.

MONTEIRO, A., MOREIRA, J. A., ALMEIRA, A. C. & LENCASTRE, J.A. (Orgs.) (2012). Blended learning em Contexto Educativo: Perspectivas Teóricas e Práticas de Investigação. Santo Tirso: Defacto Editores. pp. 12-13.

(As imagens foram retiradas do Google Images)