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domingo, 11 de dezembro de 2016

O TPACK


Na sociedade do conhecimento que é a nossa, também designada como a sociedade digital ou a sociedade em rede, a escola tem um papel crucial, mas tarda em acompanhar a rapidez das mudanças. De facto, a pedagogia tradicional, que é uma "pedagogia da transmissão" (Silva e Cilento: 2015), já não responde a todas as necessidades e afasta-se cada vez mais dos fluxos comunicacionais emergentes, que são rotineiros na vida dos jovens, "nativos digitais".

Neste contexto emerge a "pedagogia conetivista", ou a "pedagogia 2.0", em que o processo de ensino e aprendizagem recorre às ferramentas da web 2.0 e "assenta na interseção de três elementos Ps: a Participação, em comunidades de rede, a Personalização da experiência de aprendizagem e a Produtividade relacionada com a criação de conhecimento" (Moreira, Monteiro e Barros: 2015).

É claro que esta teoria e a sua aplicabilidade precisam de professores aptos para a implementarem, de professores formados segundo o referencial teórico TPACK, assente no conhecimento científico, no conhecimento pedagógico e no conhecimento tecnológico, bem como na interação dos três conhecimentos. Ora, a minha limitada experiência diz-me que este modelo está longe da generalidade da oferta formativa dos professores, pelo menos no que respeita à formação contínua.

O TPACK, que é um modelo flexível, pode integrar modelos pedagógicos integradores das tecnologias digitais, ou alguns aspetos desses mesmos modelos, conforme a sua adequação ao contexto educativo concreto.

O que o caracteriza, segundo Koeller, Mishra e Akcaoglu (2013), nas suas conclusões é:

“The TPACK framework describes how effective teaching with technology is possible by pointing out the free and open interplay between technology, pedagogy and content. Applying TPACK to the task of teaching with technology requires a context-bound understanding of technology, where technologies may be chosen and repurposed to fit the very specific pedagogical and contente-related needs of diverse educational contexts (Kereluik, Mishra & Koeller, 2010; Mishra & Koeller, 2009).

Neste sentido, o referencial TPACK, no ensino básico e secundário, pode beneficiar muito de uma abordagem blend, segundo um dos cinco modos de integração dos modelos de blended learning com modelos presenciais, propostos por Carol Twigg (2003), citada por Monteiro, Moreira, e Lencastre (2015: 37), o “modo de complemento, em que um ambiente virtual de aprendizagem é utilizado como apoio às aulas presenciais". O professor tem de clarificar os objetivos de aprendizagem, a partir dos documentos oficiais, tem de escolher as atividades apropriadas para a consecução daqueles objetivos, assim como a tecnologia adequada (cf. Koller e Mishra, 2013). Ora, é nesta escolha e na sua adequação aos demais elementos da planificação que está o busílis. O uso da tecnologia falha muitas vezes, a meu ver, porque o professor ou não compreende bem as suas potencialidades ou não a integra no seu plano de forma refletida e com uma intencionalidade clara. Precisa de formação segundo o referencial TPACK!


Intro to TPACK - Punya Mishra, Michigan State University   


Referências bibliográficas:

KOELLER, Mathew J., MISHRA, Punya, AKCAOGLU, Mete. (2013). The Technological Pedagogical Content Knowledge: Framework for Teachers and Teachers Educators. CEMCA.

MISHRA, Punya. (2014). Intro to TPACK (vídeo). Michigan State University.

MONTEIRO, A., MOREIRA, LENCASTRE, J.A. (2015). Blended Learning na Sociedade Digital. Santo Tirso: Whitebooks.

MOREIRA, J. António Moreira, BARROS, Daniela, MONTEIRO, Angélica. (2015). Cap. IV. Formação de Professores para a Web 2.0: O TPACK como Referencial Teórico. Inovação e Formação na Sociedade Digital: Ambientes Virtuais, Tecnologias e Serious Games. Santo Tirso: Whitebooks.

SILVA, Marco, CILENTO, Sheilane. (2015). Cap. V. Formação de Professores para Docência Online no Brasil: Considerações sobre um Estudo de Caso. Inovação e Formação na Sociedade Digital: Ambientes Virtuais, Tecnologias e Serious Games. Santo Tirso: Whitebooks.