sábado, 17 de dezembro de 2016

Mobile learning

Aprendi um conceito novo. Não tinha conhecimento de que a UNESCO já tinha refletido sobre esta modalidade pedagógica e que já tinha emitido orientações para os diferentes países. No sítio desta organização, mobile learning é definido assim: 

Mobile learning involves the use of mobile technology, either alone or in combination with other information and communication technology (ICT), to enable learning anytime and anywhere. Learning can unfold in a variety of ways: people can use mobile devices to access educational resources, connect with others, or create content, both inside and outside classrooms. Mobile learning also encompasses efforts to support broad educational goals such as the effective administration of school systems and improved communication between schools and families.

Mais informações: UNESCO: ICT and Education

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domingo, 11 de dezembro de 2016

O TPACK


Na sociedade do conhecimento que é a nossa, também designada como a sociedade digital ou a sociedade em rede, a escola tem um papel crucial, mas tarda em acompanhar a rapidez das mudanças. De facto, a pedagogia tradicional, que é uma "pedagogia da transmissão" (Silva e Cilento: 2015), já não responde a todas as necessidades e afasta-se cada vez mais dos fluxos comunicacionais emergentes, que são rotineiros na vida dos jovens, "nativos digitais".

Neste contexto emerge a "pedagogia conetivista", ou a "pedagogia 2.0", em que o processo de ensino e aprendizagem recorre às ferramentas da web 2.0 e "assenta na interseção de três elementos Ps: a Participação, em comunidades de rede, a Personalização da experiência de aprendizagem e a Produtividade relacionada com a criação de conhecimento" (Moreira, Monteiro e Barros: 2015).

É claro que esta teoria e a sua aplicabilidade precisam de professores aptos para a implementarem, de professores formados segundo o referencial teórico TPACK, assente no conhecimento científico, no conhecimento pedagógico e no conhecimento tecnológico, bem como na interação dos três conhecimentos. Ora, a minha limitada experiência diz-me que este modelo está longe da generalidade da oferta formativa dos professores, pelo menos no que respeita à formação contínua.

O TPACK, que é um modelo flexível, pode integrar modelos pedagógicos integradores das tecnologias digitais, ou alguns aspetos desses mesmos modelos, conforme a sua adequação ao contexto educativo concreto.

O que o caracteriza, segundo Koeller, Mishra e Akcaoglu (2013), nas suas conclusões é:

“The TPACK framework describes how effective teaching with technology is possible by pointing out the free and open interplay between technology, pedagogy and content. Applying TPACK to the task of teaching with technology requires a context-bound understanding of technology, where technologies may be chosen and repurposed to fit the very specific pedagogical and contente-related needs of diverse educational contexts (Kereluik, Mishra & Koeller, 2010; Mishra & Koeller, 2009).

Neste sentido, o referencial TPACK, no ensino básico e secundário, pode beneficiar muito de uma abordagem blend, segundo um dos cinco modos de integração dos modelos de blended learning com modelos presenciais, propostos por Carol Twigg (2003), citada por Monteiro, Moreira, e Lencastre (2015: 37), o “modo de complemento, em que um ambiente virtual de aprendizagem é utilizado como apoio às aulas presenciais". O professor tem de clarificar os objetivos de aprendizagem, a partir dos documentos oficiais, tem de escolher as atividades apropriadas para a consecução daqueles objetivos, assim como a tecnologia adequada (cf. Koller e Mishra, 2013). Ora, é nesta escolha e na sua adequação aos demais elementos da planificação que está o busílis. O uso da tecnologia falha muitas vezes, a meu ver, porque o professor ou não compreende bem as suas potencialidades ou não a integra no seu plano de forma refletida e com uma intencionalidade clara. Precisa de formação segundo o referencial TPACK!


Intro to TPACK - Punya Mishra, Michigan State University   


Referências bibliográficas:

KOELLER, Mathew J., MISHRA, Punya, AKCAOGLU, Mete. (2013). The Technological Pedagogical Content Knowledge: Framework for Teachers and Teachers Educators. CEMCA.

MISHRA, Punya. (2014). Intro to TPACK (vídeo). Michigan State University.

MONTEIRO, A., MOREIRA, LENCASTRE, J.A. (2015). Blended Learning na Sociedade Digital. Santo Tirso: Whitebooks.

MOREIRA, J. António Moreira, BARROS, Daniela, MONTEIRO, Angélica. (2015). Cap. IV. Formação de Professores para a Web 2.0: O TPACK como Referencial Teórico. Inovação e Formação na Sociedade Digital: Ambientes Virtuais, Tecnologias e Serious Games. Santo Tirso: Whitebooks.

SILVA, Marco, CILENTO, Sheilane. (2015). Cap. V. Formação de Professores para Docência Online no Brasil: Considerações sobre um Estudo de Caso. Inovação e Formação na Sociedade Digital: Ambientes Virtuais, Tecnologias e Serious Games. Santo Tirso: Whitebooks.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Algumas considerações sobre "Blended learning"

Segundo Allen, Seaman e Garrett, citados por Monteiro, Moreira e Lencastre (2015), o blended learning corresponde a um curso “que mistura o online [de 30 a 79%] com o contacto presencial. Uma abordagem substancial do conteúdo é disponibilizado online, tipicamente usa as discussões online e tem sessões presenciais” (p. 24). Este modelo pedagógico caracteriza-se pela flexibilidade, de tempo e espaço, pela inclusividade, pela inovação, pela colaboração e cooperação e pela conetividade, beneficiando das ferramentas da Web 2.0, tais como os sistemas de gestão de aprendizagem (e.g. plataforma de aprendizagem Moodle) e as redes sociais; pelo exposto, facilmente se conclui que pressupõe uma aprendizagem ativa, tal como postulado pelo construtivismo. A esta teoria, juntam-se novas teorias que respondem à sociedade atual – as teorias “sociointeracionistas” e “conetivistas” (idem, p. 33-34).

Ora, a meu ver, nem a teoria construtivista, nem as teorias sociointeracionistas ou conetivistas enformam o modelo pedagógico vigente nas escolas básicas e secundárias portuguesas; nos casos de maior integração das TIC no processo de ensino e aprendizagem atingimos, talvez, o estádio “Web facilitated” (idem, p. 24). Neste contexto, creio que a biblioteca escolar e o professor bibliotecário podem contribuir para a inovação, propondo aos seus colegas atividades assentes no trabalho de projeto, levando os alunos a construírem o seu próprio conhecimento sobre conteúdos relevantes das diferentes disciplinas, naturalmente auxiliados pelas linhas orientadoras do respetivo docente e pelas ferramentas digitais adequadas. A aprendizagem ativa e colaborativa que o trabalho de projeto pressupões só faz sentido numa cultura de escola em que a cooperação e o trabalho colaborativo estejam presentes, o que talvez não ocorra em todo o lado. Necessitamos de uma mudança de mentalidades.

MONTEIRO, A., MOREIRA, LENCASTRE, J.A. (2015). Blended Learning na Sociedade Digital. Santo Tirso: Whitebooks.


Utilização das TIC em paradigmas educacionais emergentes



Atualmente, as escolas portuguesas, na sua maioria, estão apetrechadas com meios informáticos que permitem uma utilização das tecnologias da informação e da comunicação para fins pedagógicos, mas as potencialidades destes recursos estão subaproveitadas, o que indicia que o problema não reside, essencialmente, nos meios, mas sim na pedagogia, tal como concluem Angélica Monteiro, J, António Moreira e José Alberto Lencastre, no livro Blended (E)Learning nas Sociedades digitais, p. 26-27: “Obviamente a tecnologia é importante quando se trata de apoio ao ensino, mas não deve ocupar um lugar principal quando se procuram cenários didáticos apropriados. O foco não deve ser na tecnologia, mas nas teorias de aprendizagem e na pedagogia (Lencastre e Coutinho, 2015, p. 1365). […] Caso contrário, as soluções de aprendizagem só servem para aumentar o catálogo de más experiências relatadas na literatura.”

De facto, adquirida a tecnologia, é necessário os professores saberem usá-la e disponibilizarem-na aos alunos para que estes aprendam de forma flexível, colaborativa e aberta, aproveitando a quantidade de informação disponível online, de forma acessível e desenvolvendo a capacidade de transformarem este manancial de dados em conhecimento, através de uma aprendizagem ativa. Assim, os alunos, ao mesmo tempo que constroem o seu próprio saber, aprendem a usar as TIC, as redes sociais e as várias ofertas da Web 2.0 para fins educativos e abrem caminho à aprendizagem ao longo da vida.

O problema, como se viu, reside na cultura da escola, que ainda não integrou na sua reflexão e nas práticas as vantagens pedagógicas da Web 2.0, e na formação de professores. Esta ideia é reforçada pelo relatório da OCDE Education at a Glance (2015), que refere que os países investiram em TIC, mas que este investimento está subaproveitado porque os professores não os sabem usar eficazmente. Se existe formação contínua de professores há tanto tempo, como se explica esta situação? Talvez os modelos de formação não tenham sido os mais ajustados… J. António Moreira (2016) apresenta o modelo de formação de professores adequado à sociedade digital, que é a sociedade do conhecimento: o TPACK, que integra o conhecimento científico, tecnológico e pedagógico, e que serve a necessidade de uma nova pedagogia para a sociedade atual.


No livro Blended (E)learning na Sociedade Digital, de Monteiro, Moreira e Lencastre (2015) apresentam-se ideias muito interessantes que nos podem ajudar a melhorar a prática docente, nomeadamente o conceito de blended learning e o modelo pedagógico que pressupõe. Fazendo uma autocrítica, creio que o insucesso de várias tentativas de uso das TIC (internet e redes sociais) se deve ao facto de o modelo pedagógico geral, ser ainda o modelo tradicional e, portanto, não integrar de forma significativa os recursos digitais referidos.

Se a cultura das escolas, tarda em mudar, cabe aos responsáveis implementar medidas para que os professores possam corresponder ao que a UNESCO preconiza, pois as experiências individuais pontuais demoram muito tempo a dar fruto:

“as novas tecnologias requerem novos papéis de professores, novas pedagogias e novas abordagens para a formação de professores. A integração bem sucedida das TIC nas salas de aula vai depender da capacidade dos professores para estruturar os ambientes de aprendizagem em formas não tradicionais, fundir a nova tecnologia com a nova pedagogia, para desenvolver salas de aula socialmente ativas, estimulando a interacção cooperativa, a aprendizagem colaborativa e o trabalho de grupo. […] As principais competências do futuro incluem a capacidade de desenvolver formas inovadoras de utilizar a tecnologia para melhorar o ambiente de aprendizagem, e para incentivar a alfabetização tecnológica, aprofundamento e criação do conhecimento.” (relatório da UNESCO 2008 ICT Competency Standards for Teachers, citado por Monteiro et alii: 2012)

Bibliografia citada:

MOREIRA, J. António (2016). Ferramentas Plataformas e Interfaces Online. Vídeo. DEED, UAb.

MONTEIRO, Angélica, MOREIRA, J. António & LENCASTRE, José Alberto (2015) Blended (E)Learning nas Sociedades digitais. Santo Tirso: Whitebooks. p. 26-27.

MONTEIRO, A., MOREIRA, J. A., ALMEIRA, A. C. & LENCASTRE, J.A. (Orgs.) (2012). Blended learning em Contexto Educativo: Perspectivas Teóricas e Práticas de Investigação. Santo Tirso: Defacto Editores. pp. 12-13.

(As imagens foram retiradas do Google Images)

sábado, 29 de outubro de 2016

Primeiros passos

Este blogue foi criado no âmbito da unidade curricular Tecnologias da Informação e Comunicação em Ambientes Educativos, do MGIBE, da Universidade Aberta. A partir de Maio de 2017, autonomizar-se-à e será um blogue livre da autora.


Criei este blogue a partir da aplicação blogger. Foi fácil porque é muito intuitivo e já tinha criado outros blogues, um blogue pessoal e outros em contexto profissional ou de formação.

Desta vez experimentei criar um avatar, através do site http://www.faceyourmanga.com/. Claro está que foi grátis!

Experimentei a criação de um avatar porque estou a pensar promover o uso desta forma de identificação dos alunos num clube de leitura que estou a tentar implementar na biblioteca, com recurso a redes sociais para partilha de notas de leitura e ligações (artísticas, culturais, noticiosas, etc.); estamos a pensar usar o facebook, o blogue e a rede educativa edmodo, que ainda não conheço bem. Parece-me interessante para os jovens promover a reflexão sobre a identidade pública, através da construção de uma persona; para além disso, creio que deste modo é possível preservar a imagem e a divulgação de dados pessoais, como é tantas vezes recomendado.