A sociedade atual, dita sociedade do conhecimento ou
sociedade digital, assiste ao aparecimento de novos paradigmas de ensino
baseados nos recursos. Neste contexto, as bibliotecas escolares já não são, ou estão
em vias de deixar de ser espaços físico onde se guardam livros, muito
hierarquizados, para se tornarem centros de recursos físicos, tecnológicos,
digitais e humanos, onde os alunos podem aceder a múltiplas fontes de
informação e aprendem a ser leitores ativos, isto é, com capacidade para
localizarem a informação relevante para resolverem os seus problemas, para a
tratarem e a transformarem em conhecimento, adquirindo, assim, não apenas
conhecimentos curriculares como também competências para a vida.
As ferramentas da Web 2.0 assumem, neste contexto, uma
enorme relevância. Estas não só facilitam o acesso, como promovem a partilha e
as competências de produção e contribuem para o desenvolvimento de um leitor
ativo e para a instituição de uma biblioteca ativa e interativa: “as
bibliotecas ativas, que utilizam as tecnologias para oferecer serviços como,
por exemplo, o catálogo online; […] as bibliotecas interativas, como
meio para interagir com o utilizador, aproveitando assim as potencialidades da web
social.” (Merlo Veja referido por Santos, Monteiro e Carqueja: 2012, p. 65).
Podemos, pois, afirmar que o trabalho da biblioteca e o seu contributo para a
promoção da aprendizagem beneficia muito de uma abordagem blend (blended learning),
em que professores e alunos interagem presencialmente e online, em rede, de modo dinâmico, flexível e integrador das
diferenças individuais dos atores educativos, tendo sempre em mente a aprendizagem.
Neste sentido, podemos falar da necessidade de se
reconfigurarem os ecossistemas de aprendizagem, de maneira a que estes respondam eficazmente ao mundo contemporâneo e ao enorme volume de informação disponível; os jovens atuais precisam de desenvolver múltiplas
literacias para que possam selecionar a informação relevante do manancial disponível, em constante mutação e amplificação, e criarem conhecimento. É este o desafio da biblioteca escolar; como afirma Carla Ganito: "...as bibliotecas escolares […]
vivem atualmente no contexto de um novo ecossistema de aprendizagem
caracterizado pelo volume, velocidade e relevância." (2015: 131)
Referências bibliográficas:
GANITO, Carla (2015). Leitura digital: a biblioteca
como pilar de democratização In Os livros e a leitura: desafios da era
digital - Conferência internacional. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
SANTOS, Natividade, MONTEIRO, Angélica, CARQUEJA, Paula,
(2012). A integração da web 2.0 nas bibliotecas escolares In MOREIRA, J.
António, MONTEIR0, Angélica (org). Ensinar e aprender Online com as novas
tecnologias digitais: abordagens teóricas e metodológicas. Porto: Porto
Editora.